Com literatura, música, humor e interatividade, o IMPLÍCITO promete uma experiência inovadora de aprendizagem nesta terça-feira, 27 de outubro, no Centro de Cultura de Porto Seguro. O que a inteligência artificial ainda não consegue revelar sobre a escrita humana? Como transformar literatura em argumentos capazes de conquistar uma boa nota na redação do Enem? Essas são algumas das provocações que inspiram o IMPLÍCITO: Literatura & Redação em Alto Volume, evento que acontece nesta terça-feira, 27 de outubro, às 9h, no Centro de Cultura de Porto Seguro. Realizado pela Academia de Letras de Porto Seguro (ALPS), em parceria com a professora Martha Matos, o encontro propõe uma experiência educativa que combina literatura, música, humor e interatividade para ajudar estudantes na preparação final para o Exame Nacional do Ensino Médio. Conhecida por seus tradicionais aulões de redação, Martha explica que a proposta nasceu do desejo de transformar a revisão dos conteúdos em uma experiência leve e envolvente, na qual os estudantes possam consolidar conhecimentos, ampliar repertórios e aprender de maneira divertida. O próprio nome do evento surgiu de uma reflexão sobre a inteligência artificial e a construção dos textos. Segundo a professora, produções geradas por IA podem apresentar argumentos superficiais e carecer das sutilezas de interpretação que enriquecem a escrita humana. O IMPLÍCITO surge, assim, como uma provocação sobre aquilo que está nas entrelinhas e exige sensibilidade, repertório e pensamento crítico. Literatura como repertório para a vida e para o Enem Para Martha Matos, um dos principais desafios dos candidatos nesta reta final não é necessariamente a falta de conhecimento, mas a ansiedade e a dificuldade de mobilizar o repertório sociocultural diante de um tema inesperado. “O maior desafio é domar a ansiedade. Nesse momento, não é mais o tempo de ver tudo, agora é relembrar e dominar o que já se tem”, destaca a professora. Nesse contexto, a literatura assume papel fundamental. Além de ampliar o repertório cultural, o contato com obras e autores contribui para o domínio da linguagem, a construção de argumentos e a organização das ideias, habilidades importantes para a redação. Um podcast que vira espetáculo Entre as novidades da programação está a estreia do RodaCast: “E a Literatura, onde é que vai?”, uma experiência que aproxima o formato dos podcasts e games do universo literário. A atividade terá a participação de Carleone Filho, professor, escritor, ator e diretor de teatro, e Rod Pereira, escritor, dramaturgo e presidente da Academia de Letras de Porto Seguro. Juntos, os convidados vão explorar as relações entre literatura, sociedade e argumentação, com perguntas, desafios e participação dos estudantes. A programação contará ainda com apresentações musicais da banda Indieotas, em formato acústico, e do Coral Movimento Afro do CIEB. Para Martha, a combinação entre conhecimento e entretenimento contribui para que os conteúdos sejam assimilados e lembrados com mais facilidade. O humor, a música e a interação criam experiências que permanecem na memória dos participantes. Mais do que uma revisão para o Enem, o IMPLÍCITO representa uma aproximação entre a Academia de Letras, a escola e a juventude, demonstrando que a literatura pode ocupar novos espaços, dialogar com diferentes linguagens e contribuir para a formação de leitores críticos e criativos. O evento é uma realização da Academia de Letras de Porto Seguro e da professora Martha Matos, com apoio do CIEB, CEMPEC, Atravessias Companhia de Arte e Cultura, Camille Borges Fotografia e Centro de Cultura de Porto Seguro. O evento possui como apoio : CIEB (Complexo Integrado de Educação Básica, Profissional e Tecnológica de Porto Seguro), Banda Indieotas, CEMPEC, Atravessias Companhia de Arte e Cultura, Camille Borges Fotografia, Centro de Cultura de Porto Seguro e Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura. 📌 Serviço
Jornalista e poeta passa a integrar o quadro de membros vitalícios da instituição e assume a Cadeira nº 22, que tem Moraes Moreira como patrono A Academia de Letras de Porto Seguro recebeu oficialmente, na noite de 14 de setembro de 2026, o jornalista e poeta Fábio Del Porto como seu mais novo Membro Vitalício. A Sessão Solene de Posse foi realizada na Câmara Municipal de Porto Seguro e reuniu acadêmicos, autoridades, familiares, amigos, escritores e representantes da vida cultural da cidade. Eleito em reunião realizada em 23 de abril de 2026, Fábio Del Porto ingressa na Academia em reconhecimento à trajetória construída nos campos da comunicação, do jornalismo e da literatura, além de sua atuação na vida cultural de Porto Seguro. O Ato de Eleição também destacou sua contribuição para a circulação de ideias, para a valorização da produção cultural e literária e para o fortalecimento dos espaços de diálogo entre literatura, comunicação, memória e sociedade. A Mesa de Honra da solenidade foi composta pelo presidente da Academia de Letras de Porto Seguro, Rod Pereira; pela secretária-geral, Martha Matos; pelo acadêmico Roberto Martins, decano presente à cerimônia; e pelo superintendente de Cultura de Porto Seguro, Herculano Assis. Participaram ainda dos diferentes momentos do rito acadêmico os acadêmicos Carleone Filho, Allyson Mattos, Éder Rodrigues e Adriana Pesca Pataxó. Allyson Mattos conduziu Fábio Del Porto em sua entrada solene no plenário, Éder Rodrigues realizou a leitura do Termo de Posse, Adriana Pesca Pataxó fez a leitura do Diploma Acadêmico e Roberto Martins realizou a entrega do diploma. Carleone Filho foi responsável pela condução do cerimonial da noite. Uma noite dedicada à memória e à palavra Na abertura oficial da Sessão Solene, o presidente Rod Pereira reafirmou o compromisso da Academia com a literatura, com a preservação da identidade de Porto Seguro e com a memória dos povos e das histórias que formaram o território. Durante o pronunciamento, evocou as palavras do escritor Antonio Olinto: “Existimos porque temos memória, porque a usamos contra o esquecimento.” A cerimônia reservou também um momento de homenagem à cidade com a execução do Hino de Porto Seguro, com versos de Alfredo Horcades e Murilo Araújo e música do maestro Eleazar de Carvalho, em interpretação da Banda Filarmônica Terra Mater, sob a regência de Ronald Magnavita Filho. Em seguida, a secretária-geral Martha Matos realizou a leitura do Ato de Eleição. Após ser conduzido solenemente ao plenário pelo acadêmico Allyson Mattos, Fábio Del Porto prestou o Juramento Acadêmico, assumindo publicamente o compromisso de honrar a instituição, servir às Letras, à cultura e ao conhecimento, preservar a memória, valorizar a diversidade de vozes e saberes e defender a liberdade do pensamento. A Cadeira nº 22 e o legado de Moraes Moreira Após a leitura do Termo de Posse pelo acadêmico Éder Rodrigues, o documento foi assinado por Martha Matos, Rod Pereira e Fábio Del Porto, formalizando seu ingresso no quadro acadêmico da instituição. A partir daquele ato, Fábio passou oficialmente a ocupar a Cadeira nº 22 da Academia de Letras de Porto Seguro, cujo patrono é Moraes Moreira. O patrono estabelece uma ligação especialmente significativa com a identidade cultural baiana. Com sua chegada, Fábio assume também o compromisso institucional de contribuir para o fortalecimento da literatura, da educação, da pesquisa e da cultura, para a preservação da memória e para a valorização da diversidade de vozes, identidades e saberes. Após receber o Diploma Acadêmico das mãos de Roberto Martins, Fábio Del Porto pronunciou seu discurso de posse. Sua trajetória, construída entre o jornalismo, a comunicação, a poesia e a participação na vida cultural de Porto Seguro, passa agora a integrar também a história da Academia. “Vivo este momento com muita alegria e gratidão. Fazer parte da Academia de Letras de Porto Seguro é uma honra e, ao mesmo tempo, um compromisso. Espero somar minha trajetória ao trabalho que vem sendo desenvolvido pela instituição e contribuir para que a Academia seja cada vez mais valorizada, reconhecida e próxima da comunidade”, afirmou Fábio Del Porto. Acolhido entre seus novos pares O Discurso Oficial de Recepção foi proferido pelo presidente Rod Pereira, escolhido pelo próprio Fábio para recebê-lo formalmente em nome da instituição. Durante a solenidade, a escolha foi apresentada também como expressão de uma relação construída ao longo dos anos por meio da cultura, da comunicação e de diferentes caminhos profissionais. A noite contou ainda com pronunciamento do superintendente de Cultura de Porto Seguro, Herculano Assis, reforçando a importância da aproximação entre a Academia, a cultura e a cidade. Ao final da cerimônia, os acadêmicos se reuniram ao novo confrade para a fotografia oficial da Sessão Solene. A Academia de Letras de Porto Seguro também registrou agradecimento à Câmara Municipal de Porto Seguro pelo apoio à realização do evento e pela valorização de iniciativas que contribuem para o fortalecimento da literatura, da cultura e da memória do município. A chegada de Fábio Del Porto acrescenta uma nova voz à construção permanente da Academia de Letras de Porto Seguro. Entre comunicação, jornalismo e literatura, sua trajetória passa, a partir de agora, a integrar oficialmente a memória e a história desta Casa de Letras.
Ana Bandarra* Há acontecimentos que ultrapassam a dimensão de um evento. Tornam-se símbolos. O 1º Encontro de Línguas Indígenas, Línguas Indígenas de Sinais (LIS) e Língua Indígena Pataxó de Sinais (LIPS), promovido pela Academia de Letras de Porto Seguro no dia 28 de agosto, no Cempec, foi um desses momentos. Em uma cidade frequentemente lembrada como marco da chegada dos portugueses ao Brasil, o encontro propôs um movimento inverso: o retorno às vozes que já habitavam este território muito antes de qualquer carta, mapa ou registro oficial. Afinal, o que vai, de onde nasce, sempre volta. Reunindo pesquisadores indígenas, educadores, escritores, estudantes, acadêmicos e representantes da comunidade, o evento tornou-se um espaço de escuta e reflexão sobre a riqueza linguística e cultural dos povos originários. Mais do que discutir idiomas, discutiu-se pertencimento, memória e continuidade. A mesa de debates foi coordenada pela professora, escritora, pesquisadora e acadêmica Adriana Pesca Pataxó, com a participação dos professores indígenas Awoy Pataxó e David Kaique Pataxó. Em suas falas, a retomada do Patxôhã, as Línguas Indígenas de Sinais e a Língua Indígena Pataxó de Sinais revelaram-se não apenas instrumentos de comunicação, mas expressões vivas de identidade e resistência cultural. A presença dessas línguas reafirmou que cada palavra preservada carrega uma visão de mundo, uma memória coletiva e um elo entre passado, presente e futuro. Quando uma língua retorna ao cotidiano de seu povo, não retorna sozinha: com ela voltam histórias, conhecimentos, afetos e modos singulares de compreender a existência. Talvez o aspecto mais simbólico da noite tenha sido perceber que aquilo que um dia se tentou apagar encontrou caminhos para retornar. Uma língua silenciada pela história reaparece viva na voz de seu povo. Saberes ancestrais, durante séculos colocados à margem, atravessam as fronteiras do tempo e passam a ocupar espaços de reconhecimento, como uma Academia de Letras. E uma história brasileira inicialmente registrada pelo olhar português é revisitada pelas línguas e memórias daqueles que já estavam aqui muito antes da chegada das caravelas. Essa mesma perspectiva esteve presente na participação de Carleone Filho, diretor do CEMPEC (Centro Municipal de Educação, Pesquisa e Cultura), que apresentou ao público uma réplica da Carta de Pero Vaz de Caminha, documento transcrito por indígenas e pela Coordenação da Educação Indígena da Secretaria Municipal de Educação de Porto Seguro, com apoio do CEMPEC e da Biblioteca Municipal de Porto Seguro, por meio de seu diretor, Laércio da Silva. O gesto ultrapassou o valor documental. Simbolicamente, permitiu que uma das primeiras narrativas escritas sobre esta terra fosse revisitada pelos descendentes daqueles que nela já viviam, ampliando a reflexão sobre memória, identidade e pertencimento. Entre os momentos mais marcantes da noite esteve a apresentação do poema Água Batendo na Pedra (2020), de autoria da professora Adriana Pesca Pataxó, interpretado em Língua Indígena de Sinais. Inspirado na narrativa sobre a origem do nome Pataxó, o poema uniu ancestralidade, território e acessibilidade em uma expressão artística que demonstrou que a cultura não apenas resiste ao tempo: ela encontra novos caminhos para permanecer. Ao final, ficou evidente que o encontro não tratou apenas da preservação de línguas indígenas. Tratou da permanência de um povo, de seus saberes e de sua memória. Em um tempo marcado pela velocidade e pelo esquecimento, o evento reafirmou que algumas heranças não desaparecem. Elas aguardam o momento de serem novamente ouvidas. Porque o que vai, de onde nasce, sempre volta. Ana Bandarra é advogada e escritora
Aqui, as palavras ganham vida e possuímos a pretensão de sermos berço de inspiração e cultura, promover a eloquência das palavras em suas atividades. Escritores talentosos, poetas visionários e contistas imaginativos encontram neste refúgio intelectual um espaço para florescer sua criatividade.
© 2024 Todos os Direitos Reservado
Uteis
Brasil