O B(r)anco dos Réus terá apresentações gratuitas nos dias 28 e 29 de agosto, no Centro de Cultura de Porto Seguro

O teatro volta a ocupar o palco como espaço de reflexão, denúncia e enfrentamento ao racismo. Nos dias 28 e 29 de agosto, às 19h30, o Centro de Cultura de Porto Seguro recebe uma nova temporada de O B(r)anco dos Réus, espetáculo dirigido pelo escritor, dramaturgo e acadêmico Éder Rodrigues, membro da Academia de Letras de Porto Seguro, com atuação de Wenderson Ferreira. As apresentações terão entrada gratuita.

Produzida pela Bifurca Produções Artísticas, a montagem retorna ao Centro de Cultura depois da repercussão de sua estreia no ano passado. Com uma estética marcada pela ironia e pelo confronto, a obra investiga algumas das formas pelas quais o racismo continua operando na sociedade brasileira, utilizando a linguagem teatral para provocar o público e questionar estruturas historicamente naturalizadas.

Selecionado pelo Edital da PNAB/Bahia “Ocupe o Seu Espaço – Apoio à Produção e Ocupação Cultural”, o espetáculo constrói em cena uma espécie de tribunal performático. A partir desse dispositivo dramatúrgico, são colocadas em discussão questões relacionadas às afetividades negras, à religiosidade, à seletividade penal e às diferentes manifestações do racismo, especialmente aquelas que atingem de maneira cotidiana corpos e realidades negras.

Em O B(r)anco dos Réus, o próprio título já anuncia o jogo de sentidos que atravessa a montagem. A obra direciona o olhar para os lugares historicamente ocupados pela branquitude nos sistemas de julgamento e, ao mesmo tempo, preserva a memória de vidas atingidas pela violência e pela estrutura racista brasileira. Mais do que oferecer respostas, o espetáculo provoca perguntas e transforma o palco em território de tensão, memória e consciência.

A direção do acadêmico Éder Rodrigues reafirma uma trajetória artística vinculada à experimentação cênica e à utilização do teatro como instrumento de investigação das questões sociais contemporâneas. Para a Academia de Letras de Porto Seguro, a presença de um de seus acadêmicos à frente de uma produção dessa natureza também evidencia a amplitude da criação literária e artística produzida no território, aproximando literatura, dramaturgia, pensamento crítico e artes cênicas.

A montagem aposta na força do ator e da palavra, reduzindo artifícios para colocar em primeiro plano o embate entre os fatos apresentados em cena e uma realidade marcada pela criminalização e pelo extermínio da população negra. As duas sessões contarão ainda com tradução em Libras e audiodescrição, ampliando a acessibilidade da experiência teatral. A classificação indicativa é de 16 anos.

Serviço:

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