O que vai, de onde nasce, sempre volta

Ana Bandarra* Há acontecimentos que ultrapassam a dimensão de um evento. Tornam-se símbolos. O 1º Encontro de Línguas Indígenas, Línguas Indígenas de Sinais (LIS) e Língua Indígena Pataxó de Sinais (LIPS), promovido pela Academia de Letras de Porto Seguro no dia 28 de agosto, no Cempec, foi um desses momentos. Em uma cidade frequentemente lembrada como marco da chegada dos portugueses ao Brasil, o encontro propôs um movimento inverso: o retorno às vozes que já habitavam este território muito antes de qualquer carta, mapa ou registro oficial. Afinal, o que vai, de onde nasce, sempre volta. Reunindo pesquisadores indígenas, educadores, escritores, estudantes, acadêmicos e representantes da comunidade, o evento tornou-se um espaço de escuta e reflexão sobre a riqueza linguística e cultural dos povos originários. Mais do que discutir idiomas, discutiu-se pertencimento, memória e continuidade. A mesa de debates foi coordenada pela professora, escritora, pesquisadora e acadêmica Adriana Pesca Pataxó, com a participação dos professores indígenas Awoy Pataxó e David Kaique Pataxó. Em suas falas, a retomada do Patxôhã, as Línguas Indígenas de Sinais e a Língua Indígena Pataxó de Sinais revelaram-se não apenas instrumentos de comunicação, mas expressões vivas de identidade e resistência cultural. A presença dessas línguas reafirmou que cada palavra preservada carrega uma visão de mundo, uma memória coletiva e um elo entre passado, presente e futuro. Quando uma língua retorna ao cotidiano de seu povo, não retorna sozinha: com ela voltam histórias, conhecimentos, afetos e modos singulares de compreender a existência. Talvez o aspecto mais simbólico da noite tenha sido perceber que aquilo que um dia se tentou apagar encontrou caminhos para retornar. Uma língua silenciada pela história reaparece viva na voz de seu povo. Saberes ancestrais, durante séculos colocados à margem, atravessam as fronteiras do tempo e passam a ocupar espaços de reconhecimento, como uma Academia de Letras. E uma história brasileira inicialmente registrada pelo olhar português é revisitada pelas línguas e memórias daqueles que já estavam aqui muito antes da chegada das caravelas. Essa mesma perspectiva esteve presente na participação de Carleone Filho, diretor do CEMPEC (Centro Municipal de Educação, Pesquisa e Cultura), que apresentou ao público uma réplica da Carta de Pero Vaz de Caminha, documento transcrito por indígenas e pela Coordenação da Educação Indígena da Secretaria Municipal de Educação de Porto Seguro, com apoio do CEMPEC e da Biblioteca Municipal de Porto Seguro, por meio de seu diretor, Laércio da Silva. O gesto ultrapassou o valor documental. Simbolicamente, permitiu que uma das primeiras narrativas escritas sobre esta terra fosse revisitada pelos descendentes daqueles que nela já viviam, ampliando a reflexão sobre memória, identidade e pertencimento. Entre os momentos mais marcantes da noite esteve a apresentação do poema Água Batendo na Pedra (2020), de autoria da professora Adriana Pesca Pataxó, interpretado em Língua Indígena de Sinais. Inspirado na narrativa sobre a origem do nome Pataxó, o poema uniu ancestralidade, território e acessibilidade em uma expressão artística que demonstrou que a cultura não apenas resiste ao tempo: ela encontra novos caminhos para permanecer. Ao final, ficou evidente que o encontro não tratou apenas da preservação de línguas indígenas. Tratou da permanência de um povo, de seus saberes e de sua memória. Em um tempo marcado pela velocidade e pelo esquecimento, o evento reafirmou que algumas heranças não desaparecem. Elas aguardam o momento de serem novamente ouvidas. Porque o que vai, de onde nasce, sempre volta. Ana Bandarra é advogada e escritora

Academia realizou o 1º Encontro de Línguas Indígenas e fortalece diálogo com o povo Pataxó

A Academia de Letras de Porto Seguro, na noite de 28 de agosto, no CEMPEC, promoveu o 1º Encontro de Línguas Indígenas, Línguas Indígenas de Sinais (LIS) e Língua Indígena Pataxó de Sinais (LIPS). Coordenado pela acadêmica, professora e pesquisadora Adriana Pesca Pataxó, o encontro integrou pesquisadores indígenas, membros da Academia e comunidade em uma noite dedicada à reflexão sobre o fortalecimento das línguas originárias, a retomada do Patxohã e a importância das línguas indígenas de sinais. A atividade representa mais um passo da Academia na ampliação de sua relação com os povos originários e na construção de espaços permanentes para o diálogo entre literatura, memória, ancestralidade, pesquisa e produção intelectual indígena. Na abertura, o presidente da Academia de Letras de Porto Seguro, Rod Pereira, destacou o caráter histórico do momento e a importância de a instituição atuar conjuntamente com o povo Pataxó no processo de fortalecimento do Patxohã. Em sua fala, ressaltou que a língua é um dos principais elementos de preservação da identidade e da memória de um povo e que a Academia pretende contribuir para ampliar os espaços de valorização, pesquisa, produção literária e difusão da cultura Pataxó. Na sequência, o acadêmico Carleone Filho falou sobre a importância da língua materna e apresentou reflexões históricas relacionadas à presença indígena no território de Porto Seguro. Entre os temas abordados, destacou a existência da Carta de Pero Vaz de Caminha em Patxohã, atualmente em Portugal, estabelecendo uma conexão simbólica entre a história oficial do país e a língua dos povos que já habitavam estas terras. Sob a condução de Adriana Pesca Pataxó, foi realizada em seguida uma reverência ancestral, com uma prece em Patxohã. O momento colocou a língua materna e a ancestralidade no centro da programação e reforçou o protagonismo indígena que orientou todo o encontro. A retomada do Patxohã O pesquisador Awoy Pataxó apresentou seu trabalho sobre o processo de retomada linguística do povo Pataxó. Em sua exposição, mostrou como o trabalho desenvolvido por pesquisadores, educadores e comunidades contribuiu para o reavivamento de uma língua que esteve muito próxima de desaparecer. Awoy apresentou a trajetória desse processo de reconstrução e destacou que o Patxohã conta hoje com um repertório de aproximadamente quatro mil vocábulos, resultado de um trabalho contínuo de pesquisa, memória e recuperação linguística. Mais do que recuperar palavras, a retomada do Patxohã representa a reconstrução de vínculos entre gerações e o fortalecimento da identidade Pataxó. A língua volta a ocupar espaço nas aldeias, na educação indígena, nas manifestações culturais e na produção autoral, reafirmando-se como um elemento vivo da cultura do povo Pataxó. Línguas Indígenas de Sinais O pesquisador David Kaique Pataxó Hãhãhãe apresentou seus estudos sobre as Línguas Indígenas de Sinais e sobre a Língua Indígena Pataxó de Sinais. Durante sua apresentação, explicou como os sinais possuem forte relação com o território e com a observação da natureza. Elementos da mata, movimentos dos animais e referências presentes no cotidiano das comunidades tornam-se parte da construção dos sinais, evidenciando uma forma própria de compreensão e representação do mundo. David também apresentou sua trajetória de pesquisa e ofereceu ao público um panorama sobre a presença e a utilização das línguas indígenas de sinais na região e em diferentes territórios indígenas do Brasil. A apresentação permitiu compreender que essas línguas não devem ser observadas apenas pelo aspecto da acessibilidade, mas também como manifestações de identidade, cultura e memória dos povos indígenas. Literatura e sinais encerram a programação O encontro foi encerrado com uma apresentação que reuniu diferentes formas de expressão. Adriana Pesca Pataxó realizou a leitura de um poema enquanto David Kaique Pataxó Hãhãhãe fez seu acompanhamento em sinais. O momento sintetizou a proposta do evento ao aproximar literatura, língua, ancestralidade e expressão corporal. Para a Academia de Letras de Porto Seguro, a realização do encontro reafirma o compromisso de ampliar a presença dos saberes originários em sua programação e de fortalecer a participação de pesquisadores, escritores, professores e intelectuais indígenas em suas atividades. Coordenado por Adriana Pesca Pataxó, o primeiro encontro também estabelece uma base para novas ações dedicadas ao estudo, à preservação e à difusão das línguas indígenas. Ao promover esse diálogo, a Academia reconhece que a história cultural e literária de Porto Seguro não pode ser compreendida sem a presença, a memória e a produção intelectual dos povos originários. O Patxohã permanece vivo. E, junto com ele, permanecem vivas a memória, a identidade e a voz de um povo que continua escrevendo sua própria história.

Academia de Letras de Porto Seguro realiza 1º Encontro de Línguas Indígenas

Evento reúne pesquisadores indígenas para discutir retomada linguística, educação, literatura, ancestralidade e o reconhecimento das Línguas Indígenas de Sinais A Academia de Letras de Porto Seguro realiza, no próximo dia 28 de agosto, às 19h, no CEMPEC, o 1º Encontro de Línguas Indígenas, Línguas Indígenas de Sinais (LIS) e Língua Indígena Pataxó de Sinais (LIPS). A iniciativa propõe um espaço de diálogo, pesquisa e valorização das línguas originárias, reunindo pesquisadores indígenas do território para refletir sobre língua, identidade, educação, literatura e ancestralidade. Com o tema “Retomada Linguística do Povo Pataxó e seus desdobramentos comunitários, curriculares e de uma produção autoral multilíngue: educação, literatura e ancestralidade”, o encontro coloca no centro do debate o protagonismo indígena nos processos de preservação, retomada e fortalecimento de suas próprias línguas. A programação será coordenada e mediada pela acadêmica Adriana Pesca Pataxó, que destaca a importância de compreender a língua como elemento fundamental de pertencimento, memória e continuidade cultural. “O primeiro encontro de línguas indígenas realizado pela Academia de Letras de Porto Seguro será um momento de diálogo entre pesquisadores indígenas do território. A proposta é refletir sobre a trajetória de retomada do Patxôhã, língua materna do povo Pataxó, e sobre o movimento linguístico pelo reconhecimento das Línguas Indígenas de Sinais e da Língua Indígena Pataxó de Sinais, em uma roda ancestral sobre demarcação linguística, retomada, ancestralidade, literatura, educação e pertencimento”, afirma Adriana Pesca Pataxó. Para o presidente da Academia de Letras de Porto Seguro, Rod Pereira, a realização do encontro também representa o compromisso da instituição com a pluralidade das manifestações literárias, linguísticas e culturais presentes no território. Entre os participantes está o professor mestre Awoy Pataxó, que abordará a trajetória da retomada linguística do povo Pataxó em Coroa Vermelha, o trabalho desenvolvido pelo Centro de Pesquisa Atxôhã e a importância da língua materna para a produção autoral e para a literatura indígena. Também integra a mesa o professor doutorando David Kaique Pataxó Hãhãhãe, que apresentará uma reflexão sobre as Línguas Indígenas de Sinais (LIS), relacionando as experiências desenvolvidas no território às discussões e aos movimentos existentes em âmbito nacional e internacional. A programação prevê ainda a participação do professor Tohô Pataxó, coordenador do ensino de Patxôhã em Porto Seguro, que deverá abordar a trajetória da retomada linguística Pataxó, o ensino do Patxôhã no município, a produção de materiais didáticos bilíngues destinados às escolas indígenas e o processo de cooficialização da língua no território. O encontro parte da compreensão de que uma língua ultrapassa sua função comunicacional. Ela guarda formas de compreender o mundo, memórias coletivas, conhecimentos transmitidos entre gerações e elementos fundamentais para a identidade de um povo. Nesse sentido, discutir a retomada linguística significa também discutir território, pertencimento, produção de conhecimento e autonomia cultural. Ao promover o encontro, a Academia de Letras de Porto Seguro amplia o diálogo entre literatura, oralidade, educação e os saberes dos povos originários, reconhecendo as línguas indígenas como patrimônio vivo e como parte essencial da diversidade cultural e intelectual do território de Porto Seguro. A programação terá início às 19h, com a recepção dos convidados e participantes. Às 19h30, acontece a abertura institucional da Academia de Letras de Porto Seguro, seguida, às 19h40, pela abertura da mesa, sob mediação de Adriana Pesca Pataxó, com reverência ancestral, canto, poética do encontro e composição da mesa-redonda. As exposições dos pesquisadores começam às 20h. Após as falas dos participantes da mesa, o encontro será aberto para perguntas e diálogo com a plenária. O encerramento está previsto para as 22h30.

Espetáculo dirigido pelo acadêmico Éder Rodrigues retorna aos palcos em Porto Seguro

O B(r)anco dos Réus terá apresentações gratuitas nos dias 28 e 29 de agosto, no Centro de Cultura de Porto Seguro O teatro volta a ocupar o palco como espaço de reflexão, denúncia e enfrentamento ao racismo. Nos dias 28 e 29 de agosto, às 19h30, o Centro de Cultura de Porto Seguro recebe uma nova temporada de O B(r)anco dos Réus, espetáculo dirigido pelo escritor, dramaturgo e acadêmico Éder Rodrigues, membro da Academia de Letras de Porto Seguro, com atuação de Wenderson Ferreira. As apresentações terão entrada gratuita. Produzida pela Bifurca Produções Artísticas, a montagem retorna ao Centro de Cultura depois da repercussão de sua estreia no ano passado. Com uma estética marcada pela ironia e pelo confronto, a obra investiga algumas das formas pelas quais o racismo continua operando na sociedade brasileira, utilizando a linguagem teatral para provocar o público e questionar estruturas historicamente naturalizadas. Selecionado pelo Edital da PNAB/Bahia “Ocupe o Seu Espaço – Apoio à Produção e Ocupação Cultural”, o espetáculo constrói em cena uma espécie de tribunal performático. A partir desse dispositivo dramatúrgico, são colocadas em discussão questões relacionadas às afetividades negras, à religiosidade, à seletividade penal e às diferentes manifestações do racismo, especialmente aquelas que atingem de maneira cotidiana corpos e realidades negras. Em O B(r)anco dos Réus, o próprio título já anuncia o jogo de sentidos que atravessa a montagem. A obra direciona o olhar para os lugares historicamente ocupados pela branquitude nos sistemas de julgamento e, ao mesmo tempo, preserva a memória de vidas atingidas pela violência e pela estrutura racista brasileira. Mais do que oferecer respostas, o espetáculo provoca perguntas e transforma o palco em território de tensão, memória e consciência. A direção do acadêmico Éder Rodrigues reafirma uma trajetória artística vinculada à experimentação cênica e à utilização do teatro como instrumento de investigação das questões sociais contemporâneas. Para a Academia de Letras de Porto Seguro, a presença de um de seus acadêmicos à frente de uma produção dessa natureza também evidencia a amplitude da criação literária e artística produzida no território, aproximando literatura, dramaturgia, pensamento crítico e artes cênicas. A montagem aposta na força do ator e da palavra, reduzindo artifícios para colocar em primeiro plano o embate entre os fatos apresentados em cena e uma realidade marcada pela criminalização e pelo extermínio da população negra. As duas sessões contarão ainda com tradução em Libras e audiodescrição, ampliando a acessibilidade da experiência teatral. A classificação indicativa é de 16 anos. Serviço:

Adriana Pataxó toma posse em noite histórica na Academia de Letras de Porto Seguro

A escritora, professora e pesquisadora Adriana Pesca Pataxó tomou posse na noite desta quinta-feira, 13, na Academia de Letras de Porto Seguro, tornando-se a primeira mulher indígena a ocupar uma cadeira em uma instituição desta natureza no estado da Bahia. Adriana foi eleita por unanimidade, no dia 23 de abril passado, e agora ocupa a cadeira número 30, que tem como patrona Urânia Vanério. A Sessão Solene, realizada no Centro de Cultura de Porto Seguro, teve início com a execução do Hino de Porto Seguro. Em seguida, foram cumpridos os ritos acadêmicos que antecederam a entrada da nova integrante da instituição, reunindo autoridades, nomes da literatura regional, artistas, tradição acadêmica e ancestralidade Pataxó. Adriana foi conduzida até o palco pelos acadêmicos Éder Rodrigues, professor da UFSB, e Ciro de Lopes e Barbuda, procurador da Funai em Porto Seguro. Sua entrada, bastante simbólica, foi antecedida por um cortejo, oração e bênção Pataxó realizados pelo ’Grupo Tapurumã Uí Iquihã’, do Colégio Estadual Indígena de Coroa Vermelha, levando ao interior do teatro a espiritualidade, e a memória dos povos originários. BREVES RELATOS Para Adriana, a posse ultrapassa o significado individual da ocupação de uma cadeira acadêmica e representa a abertura de um espaço para outras vozes e narrativas dos povos originários. Suas obras dão destaque à cultura indígena, marcada pela potência, pela representatividade e por uma literatura pungente e plural. “Ser mulher indígena nesse contexto é muito mais do que ocupar uma cadeira; é a retomada de um espaço, a demarcação de um lugar onde as vozes coletivas dos povos originários poderão ser contadas por eles mesmos. Vivi um momento pessoal, mas, acima de tudo, coletivo, de celebração e comunhão com os meus e de registro de um novo capítulo na história da Academia”. Disse. Para o presidente da Academia, Rod Pereira, “a posse de Adriana Pataxó é uma reparação histórica que reafirma o compromisso da instituição com a representatividade. “Receber Adriana significa reconhecer que a literatura brasileira precisa ouvir cada vez mais as vozes que nasceram antes mesmo da própria ideia de Brasil. Quando uma escritora indígena ocupa uma cadeira em uma Academia de Letras, com ela chegam seu povo, suas histórias e uma maneira própria de compreender e narrar o mundo”. O Superintendente de Cultura de Porto Seguro, Herculano Assis, destacou o simbolismo do ato: “a posse de Adriana Pesca Pataxó inaugura um novo capítulo na trajetória da Academia e estabelece um encontro simbólico entre os tradicionais ritos acadêmicos e a língua, a espiritualidade, os saberes e a ancestralidade dos povos originários, mas também marca a presença da literatura indígena brasileira contemporânea e a voz de um povo que faz parte da própria identidade histórica e cultural de Porto Seguro.” PEQUENA BIOGRAFIA Adriana Pesca Pataxó, 40 anos, (também conhecida como Hitxá Pataxó) é uma professora, escritora, poeta e pesquisadora pertencente ao povo Pataxó da Terra Indígena Coroa Vermelha, em Santa Cruz Cabrália, Bahia. É professora da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) e defensora da literatura e da educação escolar indígena. Licenciada em História e em Educação Escolar Indígena, com mestrado, atualmente doutoranda em Ensino e Relações Étnico-Raciais pela Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). Atuou por quase duas décadas na educação escolar indígena em Coroa Vermelha e tornou-se professora efetiva da UFSB no Centro de Formação em Artes e Comunicação (CFAC). Rose Marie Galvão – com informações da Academia de Letras de Porto – Imagens Jefferson Felício

A ERA DO FAKE … E DO CULTO AO EGO

É impressionante observar a transformação da ficção e das teorias acadêmicas em formas concretas que passam a afetar a realidade cotidiana. George Orwell, Aldous Huxley, Ray Bradbury, Philip K. Dick, Jean Baudrillard, Guy Debord e outros escritores descreveram, em suas obras do século passado, nossos atuais dias “pós-modernos”, nos quais a realidade se torna ficção, a história é reescrita e a ciência é transformada em narrativa. Dados cientificamente comprovados e antes universalmente aceitos, como o formato geoide da Terra, passaram a ser questionados e difundidos por pessoas sem o mínimo conhecimento científico. Convencionou-se que mentira e verdade são apenas faces de uma mesma moeda, prevalecendo a versão de quem conta a melhor história e tem mais adeptos nas redes sociais. Gourmertizando o vazio Antes do atual milênio, para se ter uma profissão, eram necessários muitos anos de estudo e prática, seja com quem já era profissional na área, seja frequentando aulas em escolas, cursos e universidades. Para se exercer uma profissão (fora da área política e familiar, onde prevalecem indicações), era necessário conhecimento prévio e/ou um diploma. Hoje, qualquer um inventa uma profissão e se autointitula especialista naquilo que nunca estudou ou aprendeu na vida. E como não se pode ser pós-moderno sem ser internacional, brasileiros com mentes colonizadas adotam palavras em inglês para esconder a real intenção do vazio de algumas profissões recém-inventadas, como os tais influencers e coaches (treinadores de esportes, palavra usada agora para designar um profissional que ajuda as pessoas a atingir um objetivo profissional ou pessoal com orientação, conselhos e treinamento). Com o atual declínio da aura em torno da educação como fator transformador e com o surgimento de celebridades que não precisaram estudar muito para atingir a fama e a riqueza, muitas pessoas acham que podem se tornar tudo o que quiserem sem nunca ter frequentado um curso ou universidade. Acreditam que não necessitam de uma profissão ou formação, bastando apenas possuir um imenso número de seguidores fiéis e engajados nas redes sociais para virar influencer ou creator (criador) — um profissional que produz conteúdo na internet e que é capaz de influenciar seus seguidores a partir do seu comportamento (no dia a dia, nos produtos que consome, na forma de ver o mundo, nos eventos que possam gerar popularidade ou publicidade, na formação profissional etc.) e ganhar muito dinheiro com o marketing de empresas que contratam seus serviços. Os influenciadores funcionam como uma espécie de vitrine dos produtos e marcas que promovem, buscando criar o desejo por aquilo que oferecem a seus seguidores. Mercado de diplomas Embora parte da população simule um desprezo por formações acadêmicas, muitos querem obter um diploma a qualquer custo para não parecerem idiotas perante seus seguidores. Além dessas novas profissões da era digital, o número de compras de diplomas falsos parece ter aumentado. Há diversas empresas fabricando e vendendo títulos de doutor honoris causa, inventando faculdades que nunca existiram. Nesta lista de compras, encontram-se as ditas “pessoas de bem”, diversos profissionais (juízes, advogados, professores e escritores) comprando esses diplomas e recebendo-os em solenidades em câmaras de vereadores e até em algumas academias de Letras do interior. Muita gente ostenta esses diplomas mesmo sabendo que são falsos. Coloque nessa lista os títulos de melhor prefeito, melhor comerciante, melhor empresário ou empreendedor e até de melhor escritor. Tudo está à venda para satisfazer o ego de pessoas medíocres que sempre desprezaram os estudos acadêmicos e nunca conseguiram se sobressair em nada. Agora, elas possuem a possibilidade não só de ser o que não são, mas também de ser as melhores em habilidades que nunca tiveram ou em profissões para as quais nunca foram habilitadas. Tivemos exemplos de ministro da Educação e até mesmo de membro da mais alta corte que procuraram turbinar currículos com cursos ou estágio pós-doutoral que nunca fizeram. Escrita sem leitura e livros artificiais A proliferação de profissões inexistentes abunda na mesma quantidade em que surgem diversas editoras que cobram para publicar qualquer coisa, não importa a qualidade. A rede está cheia de gente que nunca teve o hábito da leitura e da escrita e escreve muito mal, cometendo erros de toda espécie; pessoas que deveriam voltar aos estudos de gramática e redação antes de pensar em escrever. De repente, esses indivíduos se autointitulam escritores e se transformam em tais da noite para o dia, pagando para ter livros publicados até mesmo em outros países. Outros, que nunca escreveram ou publicaram um livro sequer, oferecem cursos, ensinando incautos a como se tornar um escritor. E pior: tem muita gente usando Inteligência Artificial e publicando livros sem ter escrito uma única palavra; e alguns ganham prêmios literários, outros usam falsamente nomes de escritores reais, como o da escritora Jane Friedman, ex-presidente e diretora-executiva da famosa editora Harper Collins, cujo nome foi usado sem seu conhecimento por terceiros que ganham dinheiro com livros escritos por IA, vendidos na Amazon como se fossem dela. A epidemia de desinformação nas bolhas ideológicas Durante a pandemia, houve muitos casos de médicos ideologicamente fanáticos que prescreveram remédios e tratamentos contra a Covid-19 que eles sabiam (ou preferiam não saber) que eram totalmente ineficazes. Várias pessoas que nunca adentraram uma sala de aula de cursos de jornalismo ou comunicação, nem trabalharam em redações de jornais, revistas e televisão, subitamente se alçaram ao nível de jornalistas e blogueiros para disseminar informações falsas como se fossem dados reais. Veículos sérios de comunicação passaram a ser evitados ao apresentarem a realidade dos fatos, sendo perseguidos por uma determinada camada da população que preferia acreditar nas versões mentirosas inventadas por um grupo político que pagava alguns veículos para disseminar suas mentiras como verdade. Criaram uma bolha, tornando seus seguidores completamente alienados do estado real dos acontecimentos. Alguns deles, quando confrontados com a realidade factual, ainda hoje se recusam a aceitá-la ou entram em devaneios. Esse grupo fabricador e disseminador de mentiras aproveitou-se do desconhecimento escolar da população e criou um imenso séquito de seguidores desinformados, que acompanhavam falsos historiadores e filósofos terraplanistas que nunca estudaram história ou filosofia, mas escreveram livros e comentários com visões dos

20 anos da Lei Maria da Penha, uma ponte em direção à igualdade absoluta

Por: Rose Marie Galvão Nesta sexta-feira, dia 7 de agosto, a Lei Maria da Penha completa 20 anos. A lei 11.340 foi sancionada em 07 de agosto de 2006 tornando crime a violência doméstica e familiar contra mulheres. Sem dúvidas, é um marco importante com objetivo de aumentar o rigor das punições das agressões contra as mulheres, pois, antes dela, os agressores eram “punidos” com o pagamento de cestas básicas, não existiam medidas protetivas, delegacias especializadas no atendimento ou juizados especializados. Ao longo dessas duas décadas, a lei trouxe avanços importantes como a criação de inúmeras políticas nos diversos poderes do Estado e no âmbito do Sistema de Justiça, da Segurança Pública, da Assistência Social, da Educação ou da Saúde. Foram criadas Varas especializadas para julgar violência contra a mulher, hoje existentes em todos os Estados brasileiros, bem como Casas da Mulher Brasileira, espaços de atendimento e acolhimento de mulheres em situação de violência.  Na Segurança Pública, foram instaladas Delegacias da Mulher em todos os Estados. As Patrulhas Maria da Penha, tanto ligadas à Polícia Militar quanto às vinculadas à Guarda Municipal, em vários Estados e municípios do país, têm prestado excelente trabalho no acolhimento, proteção e acompanhamento de mulheres em situação de Violência Doméstica. Também temos os Núcleos ou Centros de Apoio Operacional da Mulher, a Comissão da Mulher Advogada do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil e nas seccionais, e o Núcleo de Defesa e Proteção aos Direitos da Mulher – NUDEM. Reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma das legislações mais avançadas do mundo no combate à violência doméstica e familiar, devemos reconhecer que ao longo desses anos, a legislação fortaleceu mecanismos de prevenção, proteção e responsabilização dos agressores. Evidentemente, a legislação trouxe avanços ao Código Penal brasileiro.  Apesar desses avanços, os índices de violência de gênero seguem alarmantes no país. As agressões seguem assustando e o medo, infelizmente, ainda continua sendo o maior inimigo das mulheres que sofrem violência doméstica, uma vez que, a impunidade cede lugar para a justiça. Segundo dados recentes, o Brasil registra, em média, quatro feminicídios por dia, evidenciando a urgência da ampliação das políticas públicas voltadas à prevenção, ao acolhimento das vítimas e à garantia de direitos. Nesse contexto, dentre as iniciativas para garantir mais segurança, ganha destaque, em Eunápolis, os esforços envidados pela deputada estadual Cláudia Oliveira, incansável na luta pela implantação do NEAM (Núcleo Especializado de Atendimento à Mulher) em Eunápolis, que funciona desde agosto do ano passado, como unidade da Polícia Civil da Bahia voltada para o acolhimento, registro de ocorrências, pedidos de medidas protetivas e investigação de crimes de violência doméstica e familiar contra as mulheres. O NEAM veio permitir que o município ampliasse suas ações de prevenção, proteção, assistência e promoção dos direitos das mulheres, fortalecendo a aplicação da Lei Maria da Penha em todo o território eunapolitano. Em celebração a este marco, compartilhamos neste espaço do site, a data que consideramos comemorativa para o nosso país, onde há 20 anos as mulheres podem ter proteção e assistência, além de uma grande humanização. E essa data, que a gente faz questão de lembrar, é um divisor de águas no contexto da violência doméstica em nosso país. Por outro lado, queremos lembrar que a violência contra a mulher não é apenas a violência física. É tudo que possa constranger, humilhar, ameaçar, enganar. A Lei Maria da Penha é a força de que a mulher precisa para fazer valer seus direitos.  Não é um muro. É uma ponte pacientemente erguida em direção à igualdade absoluta.

Academia de Letras de Porto Seguro realiza Sessão Solene de Abertura do Ano Acadêmico de 2026

A Academia de Letras de Porto Seguro realiza, no próximo dia 23 de fevereiro, às 19h30, na Câmara de Vereadores de Porto Seguro, a Sessão Solene de Abertura do Ano Acadêmico de 2026. A cerimônia marca também a celebração dos 8 anos de fundação da instituição e será histórica: esta é a primeira vez que a Academia abre oficialmente seus trabalhos anuais por meio de uma sessão solene. Durante o evento, a instituição divulgará publicamente toda a programação cultural, literária e formativa prevista para 2026, reafirmando seu compromisso com a produção intelectual, o incentivo à leitura e a valorização da cultura na região. A noite será marcada pela posse do escritor Aleilton Fonseca como Membro Honorário da ALPS. O discurso de recepção ao novo membro será proferido pelo acadêmico Cícero Sena. Literatura, institucionalidade e projeção cultural A cerimônia reunirá autoridades, acadêmicos, representantes da cultura e membros da sociedade civil em uma celebração dedicada à palavra, à memória e ao pensamento. Para o presidente Rod Pereira da Academia de Letras de Porto Seguro, o momento simboliza um novo ciclo institucional: “Realizar, pela primeira vez, a abertura do ano acadêmico em formato solene representa um amadurecimento institucional. Celebramos nossos oito anos reafirmando o compromisso com a literatura, com a memória cultural e com a construção de pontes entre instituições. Receber Aleilton Fonseca, poeta, ficcionista e atualmente presidente da Academia de Letras da Bahia e da RICA – Rede de Academias de Letras da Bahia, como Membro Honorário, fortalece o diálogo entre as academias, amplia a integração cultural no Estado e engrandece a nossa Casa.” O novo acadêmico Aleilton Fonseca é poeta, ficcionista, ensaísta e professor, com sólida trajetória na literatura brasileira contemporânea. Autor de obras nos gêneros da poesia, do conto e do romance, destaca-se pela densidade estética e pelo diálogo entre memória, identidade e cultura. Preside atualmente a Academia de Letras da Bahia e a RICA – Rede de Academias de Letras da Bahia, desempenhando papel fundamental na articulação e fortalecimento das instituições literárias no Estado. Sua incorporação como Membro Honorário reafirma o compromisso da Academia de Letras de Porto Seguro com a excelência intelectual e com o fortalecimento das redes culturais baianas. Concerto de Celebração A solenidade será concluída com um pocket show da cantora Adriana Novaes, que passa a se apresentar ao lado do Maestro Pepe Semenzato, marcando a estreia de uma nova e sofisticada fase artística. O concerto apresentará uma verdadeira viagem pelos clássicos da música popular brasileira, conduzindo o público por repertórios consagrados da MPB e da Bossa Nova. Em formato intimista de voz e piano, Adriana interpreta canções que atravessam gerações, enquanto o piano de Pepe Semenzato oferece suporte técnico e sensível, unindo refinamento clássico e liberdade interpretativa. O momento artístico celebra a integração entre literatura e música, encerrando a noite com emoção, elegância e grandeza. Serviço Sessão Solene de Abertura do Ano Acadêmico de 2026Posse de Aleilton Fonseca como Membro Honorário Data: 23 de fevereiroHorário: 19h30Local: Câmara de Vereadores de Porto Seguro Evento aberto ao público.

Sessão Solene celebra a literatura, a memória cultural e os vencedores dos Prêmios Raimundo Costa e da Academia de Letras

A Academia de Letras de Porto Seguro realizou, no CEMPEC – Centro Municipal de Pesquisa em Educação e Cultura – uma Sessão Solene memorável, marcada por emoção, reconhecimento e celebração da palavra escrita. O evento reuniu autoridades, escritores, estudantes, artistas, familiares, representantes da imprensa local e um expressivo número de acadêmicos presentes: Éder Rodrigues, Paulo Sérgio Rosseto, Verônica Souza, André Simeão, Carleone Filho, Gilvan Florêncio e o presidente da instituição, Rod Pereira, que conduziu a cerimônia. A noite foi aberta pelo presidente Rod Pereira, que trouxe uma reflexão atual sobre o papel da palavra em um tempo dominado pela velocidade das redes sociais. Em sua fala, destacou os ideais que norteiam a Academia: preservar a literatura, fortalecer a educação, valorizar a memória cultural e incentivar novas gerações de leitores e escritores. Essa perspectiva guiou toda a solenidade, que alternou arte, homenagens e celebrações literárias. Intervenções Artísticas O primeiro bloco artístico da noite trouxe duas apresentações que prepararam o público para o clima literário da solenidade. O acadêmico André Simeão apresentou a leitura da exposição Ominabovis, seguida da performance musical do poeta e compositor André Pie e Navarro Lemos, que trouxe uma interpretação sensível especialmente preparada para a ocasião de composições de Raul Seixas. Após o primeiro momento de premiações, duas novas intervenções retomaram a atmosfera artística da noite.A poeta Ayê Akin apresentou uma performance intensa de Slam Poetry, destacando a força da palavra falada. Em seguida, a Cia de Teatro Prosopopeia emocionou o público com Eu e os Versos Íntimos de Augusto, inspirada no poema de Augusto dos Anjos. Prêmio Literário Raimundo Costa A primeira edição do Prêmio Literário Raimundo Costa reconheceu jovens escritores e prestou homenagem a um dos maiores memorialistas de Porto Seguro. A premiação contou com o apoio do CEMPEC, do Instituto Portobello, da Câmara de Vereadores de Porto Seguro e da Secretaria Municipal de Educação. A presença da família de Raimundo Costa trouxe um dos momentos mais emocionantes da noite, especialmente com o discurso sensível de sua filha, Marlígia Costa. A representante do Instituto Portobello reafirmou o compromisso da instituição com a formação cultural dos jovens, destacando a entrega de um notebook ao vencedor Wellington Lima, como incentivo à continuidade de sua produção literária. Outro momento marcante ocorreu quando Sheila Rocha, autora com menção honrosa, entregou pessoalmente o troféu ao filho, Erick Rocha, segundo colocado, em um gesto que tocou profundamente o público. Menções Honrosas – Prêmio Raimundo Costa • 1ª Menção Honrosa: Jéssica Maurício – “Meu Porto”• 2ª Menção Honrosa: Guilherme Neves – “542 Anos na Foz do Rio Buranhém”• 3ª Menção Honrosa: Caz Ångela – “A Origem da Língua”• 4ª Menção Honrosa: Ana Clara Valença – “Mangue de Cor”• 5ª Menção Honrosa: Eike Costa – “A Cidade de Duas Faces”• 6ª Menção Honrosa: Sheila Rocha – “Porto Beleza à Vista ou Tristeza Escondida”• 7ª Menção Honrosa: Ayê Akin – “Zona de Sacrifícios” Premiados – Prêmio Raimundo Costa • 3º Lugar: Thayane Fehlberg – “Nas Ondas da História”• 2º Lugar: Erick Rocha – “A Cidade que Guarda Mágoas”• 1º Lugar – Vencedor: Wellington Lima – “O Adeus de Inaiá”(Premiação: Notebook oferecido pelo Instituto Portobello) Prêmio da Academia de Letras de Porto Seguro Encerrando a noite, foram entregues as homenagens do Prêmio da Academia de Letras de Porto Seguro, criado para reconhecer personalidades que contribuem de forma marcante para a literatura, a educação e a cultura da cidade. Os discursos preparatórios foram apresentados por acadêmicos da instituição:• Carleone Filho, que homenageou Miriam Silva (Mérito Cultural)• André Simeão, que leu o texto preparado por Martha Matos homenageando Ione Maria Bittencourt Oliveira (Educação e Leitura)• Rod Pereira, que homenageou o escritor Fernando Freire (Produção Literária) As falas dos homenageados emocionaram o público e reforçaram o papel da Academia como espaço de memória, diálogo e estímulo à palavra. Perspectivas e Anúncios para 2026 A Sessão Solene também apresentou ações que orientarão o calendário literário da Academia no próximo ano. Entre as iniciativas anunciadas: • Retorno da Semana Literária de Porto Seguro• Criação de Prêmio Estudantil de Literatura• Lançamento da Coletânea Raimundo Costa• Cursos e oficinas literárias ao longo do ano Encerramento Ao final da cerimônia, o presidente Rod Pereira reafirmou o compromisso da instituição com a palavra e com o futuro da literatura na cidade:

Academia de Letras de Porto Seguro realiza sessão solene em uma noite dedicada à literatura e à cultura

Cerimônia celebra os homenageados do Prêmio da Academia e apresenta os vencedores da primeira edição do Prêmio Literário Raimundo Costa A Academia de Letras de Porto Seguro realizará, na segunda-feira, 8 de dezembro, às 19h30, no CEMPEC, sua Sessão Solene dedicada a reconhecer e celebrar personalidades que contribuem para a literatura, a cultura e a educação da região. O evento marca um momento histórico para a ALPS: a entrega do Prêmio da Academia de Letras de Porto Seguro e a homenagem pública aos vencedores da primeira edição do Prêmio Literário Raimundo Costa, anunciados em outubro. PRÊMIO DA ACADEMIA Criado para reconhecer trajetórias que fortalecem a palavra, preservam memórias e transformam realidades, o Prêmio da Academia destaca três nomes cuja contribuição é incontestável: Produção Literária – Fernando Freire Dramaturgo, roteirista, diretor e escritor de sólida atuação, Fernando Freire representa a força criativa que atravessa teatro, cinema, rádio e literatura. Autor de obras encenadas em grandes palcos e de produções audiovisuais premiadas, registra ainda a alma de Porto Seguro em suas crônicas, reunidas em O Melhor do Gabiru. Sua trajetória reafirma o impacto da literatura como documento vivo da identidade regional. Mérito Cultural – Miriam Silva Pesquisadora, gestora e líder comunitária, Miriam Silva tem papel fundamental na valorização da cultura afro-brasileira no município. Co-criadora da Semana Literária de Porto Seguro — o terceiro evento literário mais antigo da Bahia —, ela ampliou o acesso a projetos culturais, incentivou autores e fortaleceu ações de igualdade racial. Sua atuação no Instituto Sociocultural Brasil Chama África e no Centro de Cultura consolidou um legado de transformação e mobilização cultural. Educação e Leitura – Ione Maria Bittencourt Educadora referência no município, Ione desenvolveu inúmeros projetos pedagógicos inovadores, muitos deles integrando teatro, leitura e cultura popular. Sua atuação defendeu a presença da capoeira e da cultura afro-brasileira nas escolas e, por meio da Casa da Amizade, promoveu atividades culturais e de incentivo à leitura que impactaram crianças e famílias. Ione reafirma o papel da literatura como caminho de emancipação e pertencimento. PRÊMIO RAIMUNDO COSTA O Prêmio Raimundo Costa nasce com a missão de estimular novos escritores e valorizar a produção literária inspirada na história, na memória e na identidade de Porto Seguro. Em sua primeira edição, dedicada exclusivamente à poesia, os vencedores são: VENCEDORES MENÇÕES HONROSAS A Coletânea de Poemas do Prêmio Raimundo Costa será lançada em 2026, reunindo as obras vencedoras e selecionadas para perpetuar esta iniciativa que já nasce como referência literária local. “O Prêmio Raimundo Costa revela novas vozes que enriquecem nossa memória literária, enquanto o Prêmio da Academia reconhece aqueles que transformam educação, cultura e palavra em legado vivo para Porto Seguro. Celebramos com essas premiações não apenas vencedores, mas o futuro da literatura que construímos juntos.” Rod Pereira – Presidente da Academia de Letras de Porto Seguro Compromisso com a literatura, a cultura e o futuro Ao celebrar estes prêmios, a Academia de Letras de Porto Seguro reafirma seu compromisso em fortalecer a produção literária regional, incentivar novos talentos e reconhecer trajetórias que fazem da palavra um instrumento de memória, identidade e transformação. SERVIÇO Sessão Solene da Academia de Letras de Porto SeguroEntrega do Prêmio da Academia de Letras e celebração do Prêmio Literário Raimundo Costa📅 Segunda-feira, 8 de dezembro🕒 19h30📍 CEMPEC – Av. Pero Vaz de Caminha, ao lado da Câmara de Vereadores🎟 Entrada gratuita